A gestão escolar constitui uma dimensão importantíssima
da educação, uma vez que, por meio dela, observa-se a escola
e os problemas educacionais globalmente, e se busca abranger, pela visão estratégica e de conjunto, bem como pelas ações interligadas,tal como uma rede, os problemas que, de fato, funcionam de modo interdependente.

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO NA GESTÃO ESCOLAR

A sociedade hoje espera ter uma escola que busque qualidade, e para isso vem tentando desenvolver metodologias que auxiliem na gestão, trazendo para sua estrutura a participação mais ativa da comunidade, estabelecendo uma parceria para tentar haver uma coordenação de ações, visando melhorar a própria estrutura da entidade.

Essa abertura está amparada na gestão escolar participativa, que é um componente o qual visa democratizar o acesso ao ensino público, não se reduzindo apenas à sala de aula, mas a própria estrutura da escola como um todo. Isto visa criar uma noção mais aprofundada de que a educação é responsabilidade de todos, cabendo à comunidade, dentro de suas possibilidades e respeitando limites, contribuir para que se processe no ensino público a transformação que todos anseiam. A participação dos gestores, é colaboração na tomada de decisões com condições objetivas, que possibilitarão a realização do processo administrativo.

A gestão escolar participativa representa a possibilidade da comunidade participar mais ativamente da escola, auxiliando nas decisões relativas aos rumos a serem seguidos pela instituição, as diretrizes organizacionais que nortearão a atuação dos educadores, servindo como uma forma da comunidade opinar sobre os elementos que são relevantes para a implementação de um ensino de qualidade.

Para que os gestores das escolas efetivem um trabalho articulado com sua equipe de trabalho, devem ter como objetivo principal, criar um ambiente de solidariedade humana e de responsabilidade mútua, sem paternalismo, sendo justo e firme nas situações do cotidiano escolar, dividindo a autoridade entre os vários setores da escola. O diretor não estará perdendo poder, mas dividindo responsabilidades e assim a escola estará ganhando poder.

Sabemos que os gestores precisam se adequar, atualizar e procurar modificar sua postura, frente ao trabalho pedagógico realizado na escola, de acordo com as constantes mudanças e avanços do mundo moderno, para tornar-se um elemento fundamental visando a concretização de um ensino com mais criatividade. No entanto, dentre inúmeras funções deve prevalecer a qualidade do processo ensino-aprendizagem através de uma participação mais Liderança e Motivação na Gestão Escolar: o Trabalho Articulador dos Diretores efetiva com o corpo docente, trabalhando em conjunto com o coordenador pedagógico e o diretor.

Para que o ensino realmente se faça e a aprendizagem se realize, é necessário agir com competência, onde a construção do diálogo, do companheirismo ético, seja construído pelos profissionais que nela atuam. O gestor educacional, caracteriza-se como um administrador democrático da comunidade escolar, orienta seus colaboradores nas tarefas da escola, deve atender as diferenças, desenvolvendo senso de responsabilidade e crítica, abrindo-se para o diálogo e estimulando o espírito de colaboração, atua em conjunto.

A atividade dos gestores é de extrema importância, devendo existir o diálogo aberto, auxiliando a superar as necessidades e procurando atingir objetivos propostos pelo seu trabalho. Os gestores precisam desenvolver adequadamente o seu trabalho, proporcionando um clima de respeito onde todos possam atingir, uma ação pedagógica da escola com competência, bem como motivar o grupo para o trabalho coletivo.

A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO ESCOLAR

O enfoque da gestão escolar está ganhando contexto, caracterizando o reconhecimento da importância da participação consciente de todos os envolvidos na instituição escolar.

Os desafios surgem para a direção e professores diante dos fatos sociais que acabam influenciando o ensino como um todo. A gestão escolar democrática representa um sinal significativo da necessidade de interação entre pólos distintos, como a escola e comunidade, para que se consiga atender às necessidades do aluno de forma adequada, privilegiando a união como integrante fundamental de mudanças.


AÇÃO DEMOCRÁTICA NA ESCOLA

A sociedade é marcada pelos avanços científicos, por grandes conquistas tecnológicas e pela pretensão da alta qualidade de vida, sendo que estes são frutos do modelo de produção capitalista, e por conseguinte a trajetória do ensino sistematizado escolar, no decorrer dos anos tem apontado um crescimento qualitativo da prática pedagógica. Essa qualitatividade decorre das próprias necessidades e expectativas das comunidades nas quais a educação está inserida; voltando essas questões para as escolas municipais de Irati, busca-se entender a atuação do gestor junto à equipe escolar.

O trabalho de gestão participativa é algo intenso, que exige do gestor responsabilidade, para que não se perca em tarefas menos importantes e deixando de lado objetivos maiores, como o trabalho em equipe e o aprendizado do aluno.

Na escola, a atuação de todos os envolvidos deve acontecer com competência, para que o ensino realmente se faça e que a aprendizagem se realize, que ocorra diálogo, companheirismo, ética construindo assim um ambiente favorável à aprendizagem.


O gestor escolar deve lembrar que o caminho se faz ao caminhar e muito mais do que certeza, deve-se conviver com buscas, com sensibilidades, com franquezas, com reflexão, colocando-se na condição de assumir a responsabilidade, por seus atos e pelos atos de sua comunidade escolar, enquanto frutos de uma tarefa coletiva.

A escola pública vem buscando melhorar o desenvolvimento de suas metodologias de ensino para que auxiliem na sua gestão, promovendo intercâmbio e trabalho cooperativo com a comunidade, como condição para promover maior qualidade na educação, tornando mais significativa à aprendizagem dos alunos. Assim, a gestão escolar participativa, democratizando o acesso ao ensino público, que não se reduz apenas à sala de aula, mas a própria estrutura da escola como um todo.

Na escola a educação é responsabilidade de todos, onde os trabalhos desempenhados deverão ser satisfatórios, buscando desenvolver a aprendizagem efetiva e significativa do aluno, com compromisso, interesse e com a divisão de tarefas entre diferentes pessoas do grupo escolar.

A gestão democrática vai conquistando seu lugar e mostrando as vantagens do trabalho coletivo e participativo, construindo uma equipe atuante, com idéias abertas e amplas, onde o compromisso da escola deve ser com a democratização do saber entendendo que o conhecimento é herança da humanidade e portanto direito de todos.

Segundo NÓVOA (1995, p.35), citado no livro Gestão Educacional e Organização do Trabalho Pedagógico (IESDE p.55, 2003) “a escola tem de ser encarada como uma comunidade educativa, permitindo mobilizar o conjunto dos atores sociais e dos grupos profissionais em torno de um projeto comum. Para tal, é preciso realizar um esforço de demarcação dos espaços próprios de ação, pois só na clarificação destes limites se pode alicerçar uma colaboração efetiva”.

O funcionamento da organização escolar é fruto de um compromisso de interações e da participação de todos, pois a escola é de todos, é aberta a todos. Quanto maior a participação, maior será a aproximação entre os membros da escola formando uma coletividade atuante.

A gestão democrática visa construir uma escola de boa qualidade, prestando atendimento aos alunos e comunidade, aproveitando melhor seus recursos existentes, oportunizando a ampliação e aplicação do conhecimento. A participação de todos permite chegar-se a soluções mais rápidas e que atendam a maioria através da ação pedagógica e educativa de maneira coerente. “A escola democrática será aquela que conseguir interagir com as condições de vida e com as aspirações das camadas populares”. ( MELLO, 1998, p.20)

Na gestão democrática, a visão que prevalece é a do conjunto, onde todos unidos conseguem produzir resultados positivos em atuações que possibilitem o crescimento do aluno e a sua inserção social, sem traumas ou riscos de exclusão, permitindo que ele desenvolva suas capacidades e conquiste seu espaço por merecimento e por ter plena consciência de que sua atuação tem que estar equilibrada com os valores inerentes à cidadania.

A gestão democrática destaca o relacionamento entre os profissionais da escola, buscando valores e crenças como a generosidade, transparência, honestidade, comprometimento e participação. Essas atitudes favorecem a formação de um ambiente saudável e aprazível, motivador e construtivo. Quando essas atitudes fazem parte do dia-a-dia dos professores, funcionários, alunos e pais não há espaço para comportamentos negativos, críticas e reclamações no ambiente escolar.

A APRENDIZAGEM DE QUALIDADE RESULTA DO GESTOR E DE PROFESSORES COMPETENTES

Ao professor cabe ser o mediador do educando levando-o a aprender em todos os aspectos, ou seja, na aquisição e desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, hábitos, atitudes, valores, idéias ou qualquer tipo de aprendizagem necessária para o educador. FREIRE, (1997, p.39) afirma que: “é preciso que o
educador não se restrinja ao âmbito da sala de aula, da estrutura interna na escola, aos problemas de legislação escolar, mas volte-se para assuntos mais importantes dentro do contexto social e político em que vivemos”.

O professor é agente de educação integral e não apenas transmissor de conhecimentos; e é de vital importância promover o desenvolvimento de seu aluno levando a adquirir atitudes, práticas, reflexão, orientando-o e assistindo-o na promoção de um ambiente escolar mais significativo.

LÜCK (2002, p. 28) salienta que: “o professor é a figura central na formação dos educandos. É ele quem forma no aluno o gosto ou o desgosto pela escola, a motivação ou não pelos estudos; o entendimento da significância ou insignificância das áreas e objetos de estudo; a percepção de sua capacidade de aprender, de seu valor como pessoa...”

O professor deverá ser competente para que possa atuar em ambientes diversos e conviver com a pluralidade, encontrando alternativas para que os alunos permaneçam nas escolas, alcançando bons resultados nas aprendizagens. Também precisa privilegiar a aprendizagem, a qual tenha significado para a vida do aluno, e que nasça de sua realidade no processo de construção do conhecimento, havendo muito diálogo como elemento da interdisciplinaridade. Deve oportunizar aos alunos uma participação efetiva, democrática, autônoma e flexível, motivando-os para um maior desenvolvimento e envolvimento com os
conhecimentos.

O modo de ser e de fazer do professor, influencia na orientação da aprendizagem dos alunos. É necessário que possua habilidade para construir planos ou projetos de aula, tomar decisões, direcionar ações e determinar procedimentos, comportamentos e gestos. Sua competência, expectativas, formação, valores e atitudes são fatores importantes na determinação de quanto, como e o que o aluno aprende.

O professor exerce o papel de mediador entre o universo social e o particular do aluno. Para tanto, deve possuir qualidades como: compreensão da realidade para a qual trabalha, comprometimento, competência no campo teórico de conhecimento em que atua e competência técnico profissional.

Identificar-se como professor é conhecer e valorizar sua própria formação, realizar um trabalho crítico-reflexivo, aceitar os desafios da educação, saber ser e fazer, conhecer o trabalho social da profissão, produzir conhecimentos, evidenciar a necessidade de rever e analisar a própria história de vida, como pessoa e profissional que viveu, que interpreta e a reelabora.

“Nenhum educador cresce se não reflete sobre o seu desempenho enquanto profissional e se não reflete sobre a ação que foi desenvolvida”. (RONCA e GONÇALVES, 1988, p.32).

MOTTI e BETTEGA (2004, p.26) afirmam que: “para a tomada de decisão é preciso uma pitada final de emoção, representada pelos condimentos: gostar de, apaixonar-se por, para decidir-se por algo. Cumprir sua vontade. Este é o requisito para qualquer decisão que se leva a sério”. Então, neste sentido temos uma gestão participativa associada a um grupo de pessoas que buscam alcançar os objetivos propostos, tomando decisões, agindo em conjunto e tendo em mente que o êxito de uma organização depende da ação construtiva de seus componentes orientados por uma vontade coletiva.

Aos gestores das escolas compete, portanto, promover a criação e a sustentação de um ambiente propício à participação plena dos profissionais, alunos e pais, no processo social escolar, uma vez que é por essa participação que seus membros desenvolvem consciência e sentido de cidadania. Para tanto, os responsáveis pela gestão escolar devem criar um ambiente estimulador dessa participação.

Para obter os melhores resultados no atendimento às necessidades dos educadores e na promoção do desenvolvimento dos mesmos fazem-se presente à equipe técnica-administrativa que tem como função coordenar e orientar todos esses esforços, motivando os professores a fazerem a diferença.

A direção, como elemento responsável direto pelas diretrizes desenvolvidas pela escola, influencia no ambiente desenvolvendo comprometimento e clima escolar, desempenho no pessoal e a qualidade do processo-ensino aprendizagem.

Para desenvolver a gestão escolar na área administrativa, faz-se necessário que o gestor organize e articule as condições materiais e humanos, a fim de garantir o avanço de todos, controle os materiais e o financeiro da escola, tendo em vista as prioridades diagnosticadas com o apoio da comunidade, formule regras, oriente e delegue responsabilidades a todos. Na área pedagógica o gestor precisa dar assistência aos membros
da escola, valorizando-os para que possam atingir os objetivos propostos de trabalho, ser líder educacional promovendo uma ação integrada e cooperativa; ser comunicativo com a comunidade escolar e estimular a equipe para que seja criativa, inovando a aprendizagem dos alunos, a fim de que, seja significativa dentro de um ambiente favorável. Gestor comprometido ajuda a escola a definir os rumos necessários, buscando novas metas para um ensino de qualidade.

Nossas escolas necessitam de líderes capazes de trabalhar e facilitadores de problemas onde todos possam trabalhar juntos, sendo capazes de um ouvir o outro, dividindo tarefas, vivenciando conhecimentos e respeitando valores de maneira emocionalmente equilibrada, com inteligência, criatividade e sensibilidade.

O diretor e o coordenador pedagógico são considerados como forma de apoio, ou assistência ao professor, ou a outro elemento significativo que participe do processo educativo promovido pela escola. O exercício dos mesmos garante a melhoria do processo educativo. A assistência e apoio ao professor, no sentido de que esteja cada vez melhor preparado ao desempenho de suas funções, é vital. Para que possam prestar esse apoio e assistência faz-se necessário, no entanto, que não só atuem integralmente, somando esforços, assumindo um ponto de vida comum, mas também que adquiram habilidades para tal.

A atuação do diretor se dará através de uma participação compartilhada, com capacidade de liderança, sendo um coordenador que assume responsabilidades. O diretor não pode se considerar como o detentor de todo o conhecimento, podendo estabelecer um ambiente propício, criando a motivação dentro do grupo, auxiliando no desenvolvimento de um espírito de compromisso fundamental para que a escola possa ter em elo maior de ligação com os docentes, com os alunos e com a comunidade.

SILVA JUNIOR (1993, p. 78) cita que: “O administrador é assim alguém a serviço do serviço que os professores prestam a seus alunos. Será um dirigente, ou não será um administrador da educação”. Administrar uma escola é algo que supõe domínio técnico de procedimentos tanto quanto qualquer outro empreendimento social. É dar abertura para novas idéias, usar da franqueza, receber opiniões, refletir sobre diferentes pontos. A troca de idéias deve ocorrer de um clima positivo alargando o envolvimento de todos nos processos de mudanças necessárias. Da mesma forma SILVA JÚNIOR (1993, p. 70) afirma que: “Administração competente é como fruto da autonomia”. A autonomia é conquista coletiva defendida por
todos e envolvida no grupo, firmando compromisso com a qualidade de ensino, adaptando o
projeto político pedagógico à realidade local, incorporando e buscando compreender os valores culturais, costumes e manifestações artísticas da comunidade, adquirindo assim sua identidade.

Para a autonomia, os gestores precisam criar espaços de decisão conjunta, identificar situações de dificuldades e avanços, prioridades, definindo estratégias e ações com responsabilidade, buscando resultados positivos para a escola com um objetivo principal: o sucesso do aluno e a formação integral do cidadão.

A FUNÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO

O coordenador pedagógico ocupa uma função significativa, pois possibilita alternativas de ações que permitam com que o professor reflita sobre sua prática através da compreensão dos fatos, da análise e reflexão dos acontecimentos e troca de experiências, buscando realizar os objetivos propostos. Assim, a coordenação estará proporcionando aos envolvidos no processo educacional, condições de transformação e de realização dos desafios na escola.

Podemos dizer que o coordenador pedagógico faz parte das atividades que integram os objetivos educacionais, desenvolvidos nos conteúdos de diferentes áreas, nas atividades didático-pedagógicas e nas instituições escolares e extra-escolares. O importante na coordenação, não é apenas o saber teórico, mas o saber competente, compromissado com a educação, a realidade do país e a sabedoria prática.

Hoje, o coordenador pedagógico tem como função fundamental proporcionar aos profissionais que atuam na escola, as condições necessárias para que a escola cumpra a sua função, o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, com vistas ao desenvolvimento de habilidades e atitudes favoráveis à sua atuação na luta pela transformação da sociedade. Com isso, exige-se que o coordenador pedagógico saiba refletir coletivamente sobre o social, a relação educação-sociedade e a relação educação-trabalho.

Ser coordenador pedagógico é uma tarefa árdua, mas em contrapartida gratificante, desempenhá-la bem, requer preparo, conhecimento, qualificação e muita criatividade, para desenvolver um trabalho produtivo. Este trabalho só se consolida com a participação ativa, a qual requer uma postura condizente. Em uma escola, as decisões nunca devem ser tomadas unilateralmente, cabendo à totalidade dos profissionais da escola escolher a forma como o fazer educativo se desenvolverá. SILVA JUNIOR, (1993), salienta que: “As escolas não existem para serem administradas ou inspecionadas. Elas existem para que as crianças aprendam”, e que “o especialista em administração da educação é, em princípio também um especialista em
educação. O objetivo da gestão é a garantia dos meios de aprendizagem efetiva e significativa dos alunos. O entendimento é que o aluno não aprende apenas na sala de aula, mas na escola como um todo.

ANISIO TEIXEIRA (1968, p.17) citado por Silva Júnior (1993, p.73) afirma que: “somente o educador ou o professor pode fazer administração escolar” para ao final concluir que “se alguma vez a função de direção faz-se uma função de serviço e não de mando, esse é o caso da administração escolar”. A administração deve servir a própria educação. Se o administrador não se identifica como educador, suas decisões não serão inspiradas pela prática da educação, ocorrendo o fracasso da administração da escola.

ALONSO (1981, p.140) descreve que: “os melhores dirigentes são os que capitalizam o que os membros de sua organização podem oferecer. Isto cria uma equipe ou grupo mais produtivo na medida em que este crescente envolvimento cria motivações superiores, freqüentemente motivando produtividade mais elevada”. Assim, o administrador deve ser capaz de compreender a organização à sua realidade, adaptá-las as novas exigências, decidir de modo racional juntamente com sua equipe objetivando a qualidade do ensino.

A gestão escolar participativa é uma metodologia nova de administração, a qual impõe ao diretor, como responsável direto pela gestão da escola, assumir uma nova condição de entender a relação escola/corpo docente/alunos/comunidade, para conseguir idealizar um sistema de aplicação prática que possa congregar esses segmentos diferenciados em torno de um único objetivo. FERREIRA (2000,p. 306) assegura que “gestão – do latim gestio-onis -” significa ato de agir, gerência, administração [...] gestão é administração, é tomada de decisão, é organização, é direção”. Cabe analisar, no entanto, a verdadeira função da educação atual, tendo em vista a postura do gestor e sua preparação para desencadear projetos, ações e viabilizar recursos que empreguem novas metas para alcançar resultados inovadores. Sendo assim, há necessidade de pensar os órgãos educacionais como meios capazes de gerir seu próprio conhecimento, envoltos pela caminhada histórica que possuem, desafiando-os a gerenciarem suas próprias ações.

Necessitamos superar a imagem de comando na administração de um sistema que não gera mudanças, e defender idéias de que os envolvidos com a educação são gestores, administradores de seus compromissos. Um exemplo disso é o novo olhar ao professor como gestor organizador de sala de aula; do diretor como gestor da escola; do Secretário de Educação como gestor do sistema educacional. O gestor passa a ser, nesse contexto, orientador, capaz de definir metas claras de seus objetivos, agindo como mediador do
processo de desenvolvimento dos alunos e da escola.

A RELAÇÃO ESCOLA-COMUNIDADE

Está clara a necessidade de promover a articulação entre escola e comunidade a que serve, fazendo notar que a escola não é um órgão isolado, mas uma instituição para unir forças em busca das necessidades comunitárias. Segundo PARO (1997, p.17), “a participação da comunidade na escola, como todo
processo democrático, é um caminho que se faz ao caminhar, o que não elimina a necessidade de se refletir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta para a ação”. A comunidade passa a ter uma nova visão da escola, rejeitando idéias pré-concebidas e, de certa forma, enraizadas na sociedade, como a constante analogia entre a escola pública e o ensino de má qualidade, para uma noção mais coerente com a representatividade que a escola possui na sociedade, passando a perceber a necessidade de interação entre a escola e comunidade.

Os pais ou responsáveis devem ser parceiros no melhoramento do rendimento escolar de forma significativa. Isto visa a redistribuição das responsabilidades do sistema escolar. Colaboração combina com intenções em comum, com ajuda mútua e com valores coletivos, compartilhados por todos. Segundo GENTILLE (2006), a família é o primeiro grupo com a qual a pessoa convive e seus membros são exemplos para ela. Por isso deve haver interesse no processo de aprendizagem por parte dos responsáveis para se obter sucesso e o aluno cada vez mais poder acreditar em seu potencial.

A gestão participativa é uma forma significante de envolvimento dos funcionários na tomada de decisões, nas soluções de problemas, no desempenho de suas tarefas e na organização das necessidades de todos, onde se analisa, decide, age-se em conjunto. A participação de todos na gestão escolar ocorre para buscar melhor qualidade no ensino, a fim de que, garanta ao currículo escolar maior sentido de realidade e atualidade, desenvolvendo o profissionalismo dos professores, combatendo o isolamento físico,
administrativo e profissional dos diretores e professores, motivando o apoio comunitário às escolas, para desenvolver objetivos comuns na comunidade escolar. Como LÜCK, (1996, citado por LÜCK 2000 p. 15) afirma: “o êxito de uma organização depende da ação construtiva conjunta de seus componentes pelo trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um todo orientado por uma vontade coletiva”. A participação deve ser consciente, assumindo com compromisso, decidindo e agindo num todo. Aos gestores compete promover e criar um ambiente propício aos profissionais, alunos, pais, a fim de que a participação de todos seja global, desenvolvendo ação de cooperativismo, despertando um clima de confiança entre todos os profissionais, valorizando o trabalho desempenhado por todos, desenvolver a prática de assumir responsabilidades em conjunto dividindo as tarefas a serem desenvolvidas. Segundo uma análise de dados de vários campos da atuação humana, foi identificado que a “participação provoca um efeito tanto na
satisfação, como na produtividade” (MIILLER e MONGE) citado por LÜCK (2000, p. 20).

A ação integrada entre escola e comunidade é fundamental melhorando a produtividade de todos e tornando um centro ativo na vida da comunidade, que por sua vez, passará a confiar na ação educativa, no professor e a ver a escola como um local onde possa  se conscientizar e discutir seus problemas, buscar apoio e oportunidades para sua solução. Da conscientização se passará às decisões conjuntas e ao despertar das lideranças necessárias para a efetivação do trabalho proposto, que também será acompanhado, avaliado e replanejado pela própria comunidade. A escola e a família compartilham a responsabilidade pela educação das crianças; a ação deverá ser, por conseqüência, extremamente coerente. Dessa forma, a primeira tarefa do diretor consiste em organizar a informação para os pais, promovendo contatos regulares e continuados com as famílias. Esses contatos poderão assumir numerosas formas, mas o diretor deve fazer um esforço para chegar junto aos pais, mesmo quando eles não exprimem claramente esse desejo.

PURKEY e SMITH, 1983; BRANDT, 1987 (citados por LÜCK 2000, p.26) afirmam que: “As práticas de liderança em escolas altamente eficazes incluem: apoiar o estabelecimento de objetivos claros, propiciar a visão do que é uma boa escola e encorajar aos professores, auxiliá-los nas descobertas dos recursos necessários para que realizem seu trabalho. As escolas bem-sucedidas são características pela delegação aos professores da gestão e tomada de decisões em salas, assim como pela boa integração profissional entre os professores”.

Nas escolas em que a gestão escolar é participativa, compartilha-se a confiança, interação, participação em todas as ações a serem desenvolvidas em torno dos objetivos educacionais, desenvolvendo a consciência social crítica e o sentido da cidadania. Esta gestão é compromisso de todos, comprometimento com o trabalho, recebimento de informações, envolvimento no planejamento das ações escolares tendo o direito de opinar. O líder-educador muda inclusive a visão convencional de educação, levando a existir a confiança entre os membros de uma grande equipe constituindo condição essencial para sua existência e bom funcionamento. O trabalho em equipe é tão potente quanto à expressão das capacidades e aptidões de seus participantes. Estar atento a situações de tensão e conflito, a dificuldades de relacionamento interpessoal e a discordância de idéias é fundamental, para que tais situações não se transformem em fatores de imobilização ou desvirtuamento de energia. Todos que fazem parte da escola, afetam sua cultura ou interferem sobre os seus resultados, direta ou indiretamente, positiva ou negativamente, por isso, é fundamental que se tome consciência de como atuam no conjunto e como as ações se relacionam e são interdependentes.

Segundo os professores MORAES, MAGAVE e AMARAL, (2004), “o bom líder é aquele que sabe delegar, sem abdicar de suas responsabilidades. Para tanto, cabe a ele atuar com liderança, de modo a mobilizar os professores, alunos e demais funcionários da escola para que juntos atuem, de modo que a escola seja uma instituição de aprendizagem constante e de qualidade”. Por isso , ele deve envolver a comunidade na tomada de decisões e na implementação das consideradas mais importantes.Os líderes são os responsáveis pela sobrevivência e pelo sucesso de suas organizações. Chamamos de liderança a dedicação, a visão, os valores e a integridade que inspira os outros a trabalharem conjuntamente para atingirem metas coletivas. A liderança eficaz é identificada como a capacidade de influenciar positivamente os grupos e de inspirá-los a unirem-se em ações comuns coordenadas. Os líderes reduzem as nossas incertezas e nos ajudam a cooperar e trabalhar em conjunto para tomarmos decisões acertadas, (CHIAVENATO, 1994) citado por LÜCK (2000, p. 35).

Gestor líder tem por objetivo desenvolver ações com bons resultados através de divisão de tarefas e integração de idéias e ações somando um grande compromisso com família e comunidade. O gestor necessita ter espírito de liderança, ser seguro, estimulador, comunicativo, criador de clima de confiança e receptivo a todos, construtor de equipes participativas e com responsabilidade, transmissor de energia, dinamismo e entusiasmo e colaborador no desenvolvimento de habilidades em todos que fazem parte de sua equipe.

Para criar confiança entre o grupo há necessidade de comunicação e com ela busca-se inovação e criatividade. LÜCK (2000, p.42) destaca que: “A confiança é o cimento fundamental que mantém uma organização unida, facilitando a boa comunicação. Corrigindo ações ocorridas em momentos inoportunos, possibilitando o atendimento de objetivos e criando as condições para o sucesso organizacional”. No entanto, o trabalho de qualquer profissional só ganha significado e valor, à medida que esteja integrado com os demais profissionais da escola. De seus componentes depende a dinâmica de seu trabalho orientado para superação do mesmo. Cabe ao trabalho de gestão, unificar esforços pela interação de princípios e pela construção de uma coletividade.

MOTTI e BETTEGA (2004, p. 66) dizem que: “Precisa-se decidir com firmeza sobre nossas prioridades, lutar pelas conquistas e comemorar sempre. O sucesso e a felicidade só virão se você for um eterno empreendedor, aventureiro, determinado, corajoso, lutador, trabalhador, conquistador”.

Dessa forma, acreditar envolve coragem e a cada momento sentimos a presença constante do novo. Descobrir é uma questão intensa de procura que leva todas as pessoas a um trabalho gratificante, participativo, compartilhado e com responsabilidade. Nesse sentido LÜCK cita o resultado da pesquisa realizada por (MACKENZIE 1983, p.10-11) onde conclui que: Qualquer currículo funciona melhor se for implantado com entusiasmo. O ambiente da escola, de uma maneira geral, pode ser visto como um fator fundamental para a eficácia pessoal dos seus funcionários... A interação dos funcionários e o planejamento de objetivos pedagógicos específicos de modo participativo ajudam a formar um consenso sobre valores e metas que tornam o clima de realizações auto-sustentável.

Para a equipe poder agir, o gestor precisa criar o hábito de motivar seu grupo, despertando o desempenho com qualidade em atividade escolares, pessoais e sociais. Esta motivação poderá ser em momentos de trocas de idéias, de inovações, de criação conjunta dando visibilidade e transparência às ações e seus resultados. Em LÜCK (2002, p.46), reconhece que “a motivação é o empurrão ou a alavanca que estimula as pessoas a agirem e a se superarem. A motivação é a chave que abre a porta para o desempenho com qualidade em qualquer situação, tanto no trabalho, como em atividades de lazer e, também em atividades pessoais e sociais“. Entretanto, esta valorização é uma tarefa que demanda percepção, observação e comunicação para conseguir enxergar no outro sua essência enquanto ser humano, não se balizando somente nas competências que o professor apresenta. É necessário vê-lo como um todo, como uma pessoa completa, com defeitos e qualidades. Além disso, expressar aquilo que se valoriza é altamente eficaz no sentido de estimular o educador a progredir e envolver-se, constantemente, com as questões educacionais.

WERNECK (2002, p. 79) afirma que “os que têm sonhos em comum serão parceiros por longo tempo!” A escola existe para atender as necessidades de seu principal integrante: o aluno; ele é o foco de todas as ações que devem ser voltadas para o sucesso escolar. É essencial que os gestores sejam figuras presentes, participantes e respeitados na escola e na comunidade, buscando assim boa imagem da escola e o envolvimento no trabalho através de um bom planejamento, ação e responsabilidade. É importante haver uma comunidade aberta onde todos se sintam à vontade, adquirindo confiança.

RAMOS (1997, p.140) afirma que: “a qualidade pode ser alcançada e, como força vitalizante, contagiará, aos poucos, todo o corpo social responsável pela educação oferecida na escola”. No entanto, faz-se necessário que a gestão escolar reconheça o assumir em poder de exercer influência agindo na organização escolar, tendo assim a capacidade/potencial para efetuar movimento em direção e realização dos objetivos propostos. Dentro de uma instituição educacional, o administrador desempenha papel importante para o bom andamento do processo ensino-aprendizagem, mas o trabalho será mais eficiente se este for bem planejado e desenvolvido de forma integrada com os demais especialistas da educação.

Sabe-se que é extremamente difícil superar os problemas relacionados à educação, no entanto é necessário renovar a estrutura já existente, tendo em vista que a escola é dinâmica e precisa estar aberta às inovações, as quais, no entanto, devem ser questionadas, criticadas, refletidas, reformuladas e repensadas, em grande estilo, com base na própria prática, para que possam ocorrer as devidas transformações.

É preciso que se tenha coragem de correr este risco, sabendo-se que ao provocar mudanças, encontrar-se-á barreiras, interrogações, preocupações, contudo os gestores devem ter consciência que apenas dessa maneira poderão realizar um bom trabalho.

Fonte: Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 3, nº1, março de 2008. ISSN 1980-6116
http://www.unicentro.br - Ciências Humanas

7 comentários:

  1. Oi, adorei o seu trabalho. Estou a fazer a minha tese de mestrado e este trabalho me deu umas ideias. Será que não me arranja os modelos dos questionários?

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  2. Amei obrigada pelo seu trabalho me ajudou bastante na elaboração de um pre projeto de gestão escolar

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  3. Seu Blog é ótimo!!! Adorei!!! Parabéns!!!

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  4. Parabens!foi de muita contribuicao amei essa pagina Lindo....
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